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Hip-Hop

Jovens do Grajaú criam o projeto de rap independente “Grajauventude”

Longe dos holofotes da música pop e dos rios de dinheiro que correm no trap, o rap das ruas respira por aparelhos e quer mostrar sua força.

Situado no extremo sul de São Paulo, o distrito do Grajaú é conhecido, entre outras coisas, pela sua falta de aparelhos culturais. Um lugar onde a mão do estado chega apenas em sua forma repressora. Os jovens que conhecem bem essa realidade decidiram expressá-la da melhor maneira: o rap.

Cada vez mais distante do povo que é retratado em suas letras, o rap vem se acomodando nos braços da elite e de uma classe média branca e despolitizada. Pensando nisso, os MCs Henrique Madeiros, Riaj, TG e a MC Ariel, todos moradores do Grajaú, criaram o projeto Grajauventude.

Assista o primeiro clipe do cypher agora!

Conbeça mais sobre quem faz o Grajauventude!

Riaj

Riaj tem como sua marca registrada a participação nas batalhas de rima ou as famosas rinhas de mc’s. Batalhou pela primeira vez no final do ano de 2016 e conseguiu sua primeira folha (vitória) na Batalha da Rossevelt. Apesar da pouca idade, Riaj, 18 anos, coleciona cerca de 60 folhas, já representou a batalha do Grajaú Rap City em disputas regionais por 2 anos e também já disputou o regional pela batalha da Roosevelt.

Riaj tem como referências Tito JV e o cantor Rashid. Ele luta por uma maior presença de negros e negras dentro das batalhas, pois acredita que muitas pessoas não entendem que o rap e a cultura Hip Hop são movimentos culturais negros.

Ariel

A única mulher desta edição, Ariel tem 18 anos e mora no Parque América, bairro do Grajaú. Fã da cultura Hip-Hop desde os 8 anos, começou a escrever com 10 anos e entrou para as batalhas de rima com 17. Hoje ela integra o Team GRC (Grajaú Rap City) e coleciona 5 vitórias em batalhas. Ariel faz parte da banca GRAJATLANTA que reúne os melhores do trap do Grajaú. Suas rimas trazem reflexões e representatividade para mulheres que observam e  possuem interesse em fazer freestyle ou músicas dentro do Hip Hop.

Sua intenção é conquistar espaço e visibilidade para mulheres, para que a desigualdade de gênero seja quebrada nessa cultura que ainda é muito machista. No mês de Setembro, ela entra em estúdio e gravará o clipe do seu primeiro single solo. A faixa intitulada “Green” mistura trap e R&B.

TG

Thiago Pereira Segatto, vulgo TG, 16 anos, é morador do Grajaú e o caçula desta edição. Mesmo com pouca idade, suas rimas trazem reflexões fortes e jogam álcool nas feridas expostas da sociedade, buscando sempre dar voz aos excluídos.

TG prefere rimar no estilo boombap, ritmo pelo qual debutou no rap com a primeira letra que escreveu aos 11 anos. Com 14 anos, lançou sua primeira música com produção própria.

Hoje atuante como MC, ele integra o coletivo “The True”, que surgiu em 2017, originalmente como uma batalha que eram realizadas na praça do Mirna, na região do Grajaú. A batalha durou até meados de 2019 para que seus integrantes pudessem focar em suas carreiras musicais.

 

Henrique Madeiros

Henrique Madeiros, 19 anos, é cantor e morador do Jardim 7 de Setembro, na região do Grajaú. Com um olhar lírico sobre a realidade à sua volta, despertou para o RAP e para a poesia aos 16 anos.

Assíduo em diversos saraus, slams e batalhas da região, Henrique integra o Sarau Despertar que tem como objetivo usar a poesia e o grafite como ponto de partida para debater questões como LGBTQ+ e transexualidade na quebrada e abuso sexual. No Sarau, além de contribuir para a promoção do debate, Henrique Madeiros também recita suas próprias poesias e recentemente lançou um Zine intitulado “Fúria”, com poesias próprias. O Zine foi lançado na edição passada do Sarau Despertar e segue com distribuição gratuita.

Fã de RAP nacional desde a infância, cresceu escutando diversos grupos entre eles A286Inquérito, GOG e Facção Central, sendo este último sua maior referência, principalmente na figura de Eduardo Taddeo. Henrique Madeiros foi o criador e articulador do projeto Grajauventude.

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Yannick Hara lança single questionando a lógica do consumo

O rapper e performer Yannick Hara acaba de divulgar a inédita música “Caótico/Distópico”.  A faixa integra uma série de lançamentos que antecedem o próximo disco do rapper. Intitulado  “O Caçador de Androides”, o álbum tem lançamento agendado para novembro. 

Nessa track, movimentada pelo caos rumo à distopia que é o cotidiano atual, Hara reflete sobre a vida dos personagens Deckard (Blade Runner-1982) e K. (Blade Runner-2049). Na primeira parte, “Caótico” é, então, o desejo de anarquizar, sair da lógica de trabalho e consumo. Já na segunda, Distópico atinge o limiar da existência. 

Yannick Hara já lançou o EP “Também Conhecido Como Afro Samurai”, baseado em um mangá e anime para ocupar seu lugar de fala dentro da música. Agora, em 2019, se inspira na obra do escritor Philip K. Dick, “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”, que originou a franquia Blade Runner, para protestar contra a alta tecnologia e baixa qualidade de vida que assola a humanidade em direção ao futuro distópico.

Produzido por Blakbone nos estúdios da Live Station, o single inspira-se nos anos 80, carregando um visual gótico e pós-punk. Do começo ao fim, projeto tem tom provocativo, intenso e perturbador.

Ouça:

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Cultura

Novo clipe de Thiago Elniño fala sobre a resistência ao genocídio da juventude negra

Seguindo com as ações que antecedem a estreia de seu próximo disco, o MC e educador popular Thiago Elniño apresenta mais uma inédita do aguardado “Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos”. Dessa vez, em um rap que fica entre um trap com texturas orgânicas e o boombap, “Pretos Novos” vem, agressiva e direta ao ponto, inspirando-se em nomes como Dead Prez, N.W.A., EarthGang, Marcus Garvey e Malcolm X.

“Em algum momento, o rap brasileiro da década de 90, que trazia um discurso cru e forte contra o racismo, passou a ser apontado por uma nova geração como algo superado, liricamente empobrecido, repetitivo, careta e até inocente em sua fé de que alguma coisa pudesse realmente mudar. Só que foi justamente esse rap que não só nos inspirou como também deu esperança e motivou a começar e continuar produzindo. Por isso, respeitosamente tentamos manter viva aquela energia. Nesse som, estou dizendo que por mais que esteja difícil, a gente vai morrer lutando, cantando e acreditando que o dia dos pretos vai chegar. Aliás, morrer lutando é um traço de dignidade e respeito ancestral para nós”, ressalta.

Na letra, as rimas debochadas do artista o colocam no papel de um personagem mais velho, além de zombeteiro, tal qual um Exú, encontrando eco com o papo reto de Vibox, Nayê Uhuru, D’Ogum e DenVin, todos integrantes do grupo Projeto Preto, da nova escola no rap paulista. Essa participação especial faz, dessa track, um encontro de gerações.

No videoclipe produzido para esse trabalho, sob a direção de Lincoln Pires, um plano sequência impacta quando, logo nas primeiras imagens, mostra um jovem preto sendo velado dentro de casa, dando a impressão de que aquela é uma realidade comum. E, de fato, é. Isso porque, de acordo com o Atlas da Violência 2019, 75,5% das pessoas assassinadas no Brasil são negras. A mensagem que fica, nas entrelinhas e fora delas, é um grito de basta.

Assista aqui: https://youtu.be/3xQS300lwqg

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Cultura

MAX B.O. celebra 20 anos de carreira com novo álbum

Fazendo ode à camaradagem, rapper reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael e Lucio Maia são alguns dos nomes envolvidos

Aos 40 anos de idade e 20 de carreira profissional, MAX B.O. lança “O.M.M.M.”. Esse é o primeiro trabalho de inéditas depois de inúmeras parcerias e das mixtapes “FumaSom Vol. 1” (2013), “Antes que o Mundo se Acabe “ (2012) e o álbum “Ensaio, O Disco” (2010).

Para o novo projeto, artista faz ode à camaradagem e reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. Curumin, Rael, Lucio Maia, Zé Nigro, Donatinho, Dada Yute, Robinho Tavares, WC e Salazar são alguns dos nomes envolvidos. ‘Juntei pessoas que acredito, gosto e admiro. Alguns conheço há pouco tempo, outros são parceiros de longa data… Só gente de talento ímpar, lendas vivas. O resultado é um disco que dá ao rap brasileiro a oportunidade de ouvir músicos tocando de verdade em uma gravação. Sem influências, nem referências externas, criamos uma obra orgânica, verdadeira e completa”, explica.

Produzido e dirigido musicalmente por Iky Castilho, “O.M.M.M.” – abreviação para “O Mundo é um Moinho” – fala sobre a vida, o jogo, a gira e suas diversas formas de lidar com ela.

A capa, criada pelo artista Rodrigo Mitsuru, é uma arte com forte influência do trabalho de Robert Crumb, que Max B.O. lê desde a adolescência. O desenho é inspirado na rua onde o MC cresceu e seus pais ainda moram, na Zona Norte de São Paulo. Os logos do trabalho são da artista Helena Cirnila e a fonte das músicas são do artista Carlos Moreira. A concepção da estética visual é da Casa Florália e as fotos são de Mariana Harder. “Vale dizer que tudo foi marcado pelo poder da escrita, com ênfase no uso do lápis, seja pra escrever ou desenhar”, ressalta.

Composto por 12 faixas, registro já está disponível em todas as plataformas digitais.

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Cultura

Inacy estreia EP sobre negritude, força e afeto

A cantora Inacy acaba de divulgar, em todas as plataformas digitais, seu primeiro registro de estúdio. Esse trabalho, que surge a partir de experiências pessoais, mergulha intensamente em todas as emoções da artista, desenhando seu modo de ver e sentir a vida.

Lançado pela Indigo Music Production, o novo e homônimo EP tem produção musical assinada pelo nigeriano GMike, em parceria com o brasileiro Tico Pro. Sem seguir a tendência atual americanizada, projeto – totalmente inspirado no R&B – remete aos clássicos, tanto em sonoridade como texturas e efeitos, fundindo ritmos jamaicanos, influências de música eletrônica, samba, rap e soul music. Dentro dessa linha melódica, válvulas, gravadores de fita, compressores analógicos e equalizadores antigos dão um ar Lo-Fi para o disco.

Abrindo os caminhos, “Despedida” chega simples, com quatro acordes, alguns riffs e uma mistura de reggae, trap e jungle. “Fiz esta canção após perceber e entender que muitas relações foram feitas pra durar o tempo que tem que ser, pequeno ou não. Dias, meses ou só uma noite. O momento é mais importante e especial do que o que virá amanhã”.

“Replay” relembra as tracks românticas – groovadas e pesadas – dos anos 90. “Na letra, falo de paixão à primeira vista e dos sentimentos sintonizados no momento em que a entrega – e todas as suas trocas de carinho – acontecem”. Em seguida, “Preto é Luz” exalta a alegria, beleza e ancestralidade de um povo que se une, celebra suas raízes e cultura.

Já o funk music de “Me Deixa Viver”, marcado pelos tambores de maracatu, reflete sobre o quanto é bom estar só, cuidando de si mesmo, principalmente quando se viveu ou vive experiências tóxicas. Logo depois, “Teu Espaço” lembra, com saudades, de uma história passada. Single une trap, indie rock e ambient music. Fechando a obra, “Dança Comigo” é embalada pela leveza de quem sabe, sempre e cada vez mais, que “amar é bom”.

Foto: Joyce Prado
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Cultura LGBT

Monna Brutal: rapper, negra, travesti e periférica

Por Marina Souza

Nascida na periferia de Guarulhos e vivendo no país que mais mata travestis e transsexuais no mundo, Monna Brutal é uma rapper travesti negra que vem ganhando destaque no mundo da música brasileira. Explorando seus talentos artísticos ainda na infância, ela já passou pelo gospel, forró, funk, break, freestyle e, agora, procura mostrar uma identidade musical repleta de influências culturais negras diversas.

Ela classifica a si própria como uma musicista que faz música preta. É por isso que em seu último álbum, Nove e Onze, trabalhou com reage, ragga, dance, trap e tantos outros gêneros. E para 2019 a rapper está planejando lançar singles e fazer parcerias artísticas, Monna diz que promete surpreender o Brasil.

Quando finalmente encontrou-se no rap, a cantora começou a experimentar um sentimento parecido ao de liberdade, mas não durou muito. Devido a grande mazela transfóbica, misógina e homofóbica que ainda permeia os espaços do hip-hop, o que era para ser algo libertador e encorajador tornou-se um verdadeiro campo de batalha, onde Brutal precisou chegar, fazer seu nome e mostrar que corpos como o dela precisam estar ali.

Foto: Rogério Fernandes

Com cerca de dezessete anos de idade, a artista gravou seu primeiro single, que atualmente está fora do ar, e atualmente já tem novos planos para a carreira. Durante o Dia da Visibilidade trans, na semana passada, lançou o clipe de “Putos Não Fodem”,  produzido e idealizado pelo coletivo de audiovisual Quebramundo, do bairro Grajaú, na zona sul paulista. Brutal conta ainda que a parceria surgiu depois que conheceu o Psicopretas, grupo que acolhe mulheres negras em vulnerabilidade, e foi apresentada ao Quebramundo.

Em uma casa inativa, localizada em Palheireiros, eles reuniram-se para gravar o clipe. O abuso das cores verde e roxo, simbolizando o veneno – ácido e mortal – em contraste com as cenas noturnas nas ruas fazem referência ao cotidiano de transexuais e travestis; enquanto o figurino feito majoritariamente de papel reciclado e as luzes em meio à mata produzem uma amálgama de natural e sintético. O resultado é um clipe intencionalmente agressivo e explicito, deixando claro a que veio.

Segundo a Monna, a data de lançamento já fala por si só em todos os âmbitos. “Nós ainda somos muito invisibilizadas, falo por mim enquanto artista trans. Há uma falta de noção, principalmente das pessoas cis, sobre a existência desse dia. Juntamos a necessidade com a vontade e lançamos o clipe mostrando que estamos aí trabalhando e vivendo”, fala ela.

“Estou dentro da arte desde criancinha, sempre fui apaixonada por música. Desde então, eu tenho me empenhado nisso, viver da arte. É difícil, é complicado, tudo é negado pra gente. A gente é boicotada, segregada.”, desabafa.

Monna trabalha na área há praticamente onze anos, mas somente agora começou a receber pelos trabalhos, antes necessitava de um subemprego. Contudo, apesar de tantas dificuldades enfrentadas no caminho, ela sente que finalmente está em um momento profissionalmente bom e de quebras de barreiras de dentro e fora dos movimentos sociais.

Foto: Rogério Fernandes

Quando questionada sobre o atual cenário político, Monna Brutal diz que já sente um clima mais pesado onde mora e está redobrando a sua atenção para que não vire estatística. É por isso também que enfatiza sua intenção de usar suas obras pra atingir primeiramente as mulheres transgêneras, depois as pessoas cis e, por último, a si mesma para quando precisar encontrar forças.

“Eu costumo dizer que hoje em dia as nossas ‘coisas’ dos movimentos sociais estão se romantizando e o preconceito está se tornando velado. Acho muito difícil ter um corpo dissidente no hip-hop que sinta-se a vontade. Estamos nos multiplicando, em todas as cidades tem pelo menos uma de nós fazendo um rap, levantando uma bandeira, então foge da questão sobre ser ou não bem recebida. Não sei se é o caso de estarmos sendo aceitas no rap, e sim de estarmos iguais a um tsunami, incontroláveis.”

 

 

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Hip-Hop

Música rap – Estante literária

Por Edson Cadette, do Blog Lado B NY

Quando o grupo de música rap A Tribe Called Quest lançou seu quarto álbum chamado Beats, Rhymes and Life, em 1996, o então adolescente Hanif Abdurraquib ficou tão viciado que no seu Walkman não havia espaço para qualquer outro grupo musical.

Os CDs já tinham substituído as famosas fitas cassetes há anos. Entretanto, para o adolescente, nada ilustrava melhor o contacto com a eclética música rap do grupo do que apertar os botões do seu Walkman para avançar, pausar e rebobinar.

No pequeno volume Go Ahead In The Rain o agora crítico cultural e poeta Hanif presta uma bela homenagem a um dos grupos mais influentes da música rap dos anos 1990. O livro traça a carreira do grupo nos últimos 30 anos mostrando as mudanças culturais e de gosto nos Estados Unidos. Entretanto, Go Ahead In The Rain é uma história bastante pessoal.

O livro começa ligando a música rap com os cantos dos escravos dentro dos tumbeiros nas travessias através do oceano Atlântico até o Novo Mundo. Hanif liga ainda a percussão dos negros, banida pelos “códigos negros” do século XVIII, à música Jazz, nascida da opressão sofrida pelos escravos e libertos dos EUA.

Isto tudo para nos levar a sua adolescência e sua vontade de conectar-se melhor com o pai através da música. Para isto, ele começou até mesmo a tocar o trompete. Na casa onde a música rap não era bem-vinda, o som do grupo com suas letras mais refinadas e uma crítica mais social ligada a batida copiada da música Cool Jazz, A Tribe Called Quest acabou furando a resistência do patriarca da família.

Para os mais aficionados do grupo há bastante informações com muitas interpretações do autor aos mais variados fatos ligados ao grupo. A Tribe Called Quest nasceu em 1985 em St. Albans, um bairro de classe média e negro no bairro do Queens, em Nova York. As músicas do grupo tinham uma forte influência do conceito “Afrocentric Rap Collective Native Tongues”, uma espécie de ideologia onde o objetivo era promover uma cultura positiva ligada a África.

A Tribe Called Quest

Segundo o livro, várias forças culminaram com a separação do grupo em 1998. A primeira e com certeza a mais forte teve um caráter impessoal, mais a ver com o caminho no qual a música rap estava seguindo no final da década, onde o dinheiro e fama tinham uma atração forte. Isto acabou causando um racha entre o rap mais comercial e rap considerado mais autêntico com uma consciência critica social.

Isso acabou trazendo para muitos artistas a seguinte questão: seja real e fique fora do radar comercial ou torne-se mais popular com milhões de dólares no bolso e no banco. Hanif coloca A Tribe Called Quest no centro desta intensa disputa. O resultado foi um enorme estresse entre seus integrantes.

O que realmente interessa ao crítico musical é a intensa e complicada amizade entre os dois principais atristas do grupo: Q-Tip e Phife Dawg. Enquanto o primeiro é elogiado pelo seu perfeccionismo, o segundo por sua maneira cáustica e sua arte irônica com o microfone é mais identificado com o autor.

Go Ahead In The Rain acaba sendo uma carta apaixonada de um fã. Poderíamos até dizer que o livro é uma sorumbática homenagem ao seu artista favorito no grupo.

Último albúm do grupo A Tribe Called Quest (2016)

Phife Dawg faleceu em 2016 logo após o reencontro do grupo na gravação do álbum We Got It From Here… Thanks You 4 Your Service. O primeiro álbum em 18 anos. Detalhe: ele foi lançado dois dias depois da conturbada eleição do presidente Donald Trump nos EUA.

O livro está recheado de informações importantes. Entre elas estão os nomes de influentes personagens da cultura afro-americana e norte-americana, como a escritora Toni Morrison e o cantor Otis Redding.  Num outro importante capítulo lemos sobre os assassinatos de Philando Castile e Alton Sterling, o primeiro em Minnesota e o segundo em Louisiana, ambos numa disputa com a polícia local.

O pequeno e altamente gratificante livro é uma maneira de Hanif Abdurraqib mostrar toda sua gratitude ao grupo de rap que mais influenciou seu crescimento intelectual e seu senso crítico musical.