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Morre Makota Valdina, líder religiosa e militante da causa negra

Por Marina Souza

Vítima de disfunção renal aguda, a militante e educadora Makota Valdina morreu, aos 75 anos, na madrugada desta terça-feira (19) no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. A assessoria da unidade emitiu uma nota informando que há um mês a ativista já havia sido diagnosticada com problemas renais e abscesso hepático.

A morte de Valdina foi lamentada não somente pelos familiares e amigos, mas também por políticos, organizadores da sociedade civil e ativistas de diferentes causas, sobretudo de grupos ligados ao movimento negro como a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e a Fundação Cultural do Estado (Funceb). O governador do estado também fez questão de lembrar a importância da líder religiosa.

Rui Costa (PT), governador da Bahia, lamenta a morte de Makota Valdina

Valdina nasceu e cresceu na capital baiana, onde tornou-se uma importante professora da rede pública municipal, símbolo da luta contra a intolerância religiosa e o racismo. Já foi conselheira da Mãe de Santo do Terreiro Nzo Onimboyá, cargo que lhe deu o nome “Makota”, membra do Conselho de Cultura da Bahia e recebeu condecorações como o Troféu Clementina de Jesus, da União de Negros Pela Igualdade, e a Medalha Maria Quitéria, da Câmara Municipal de Salvador.

Em 2013, Makota publicou o livro  “Meu caminhar, meu viver”, em celebração ao mês da consciência negra, reunindo uma série de escritos que fez ao longo da vida. O documentário “Makota Valdina – Um jeito Negro de Ser e Viver”, retratou sua vida e foi premiado na categoria Programas de Rádio e Vídeo durante a primeira edição do Prêmio Palmares de Comunicação, da Fundação Cultural Palmares.

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Se Crispim fosse branco, a situação seria diferente

Por Marina Souza

“Perseguição se esquece? Tanta agressão enlouquece”, o verso de Boa Esperança, letra composta pelo cantor Emicida, faz referência às contantes violências sofridas pelos povos negros ao longo dos séculos e à mescla de sentimentos ruins que invadem esses corpos. O trecho parece descrever uma série de casos que têm viralizado nas redes sociais nas últimas semanas, o mais recentes é o do empresário Crispim Terral, vítima de um abuso policial ocorrido na última segunda-feira (25), em Salvador.

Terral, de 34 anos, estava em uma agência bancária da Caixa Econômica Federal e ao reclamar da demora, de quase cinco horas, do atendimento foi surpreendido com agressões físicas que poderiam ter o matado. Assim que ouviu a reclamação, um dos gerentes acionou a Polícia Militar, que deu um “mata-leão” no empresário.

https://www.youtube.com/watch?v=mSEVL0-wO8I

O vídeo repercutiu nas redes sociais e rapidamente diversas pessoas se posicionaram contra o episódio que, segundo a vítima, foi motivado por racismo. Na tarde de ontem (26), cerca de 100 pessoas se reuniram ao local do crime e protestaram em defesa de Crispim.

Em entrevista ao jornal G1, ele disse “eu não desejo isso a ninguém. Nem ao meu pior inimigo, que eu não tenho. É muito triste, é muito doloroso. Eu agradeço todas as mensagens de apoio. Estamos juntos. E vamos dizer não, mais uma vez, ao racismo.”.

O Ministério Público do Estado da Bahia disse que analisará a denúncia. Já a CAIXA afastou o gerente e informou, por meio de uma nota, que “está apurando e tomará todas as providências cabíveis […] e ressalta que repudia atitudes de discriminação cometidas contra qualquer pessoa”.

Ativistas realizam protesto no local do crime (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Para Renata Lira, advogada penal e integrante do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro, o banco precisa tomar uma atitude séria em relação ao ocorrido. E afirmou ainda que se a reclamação ao gerente partisse de um homem branco, ele dificilmente teria sido submetido à este tipo de violência e humilhação. “Os homens negros têm uma chance muito maior de serem presos, constantemente são reconhecidos como culpados por crimes que nem estavam presentes no local”, relembrou ela.