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Mobilização

Rede contra genocídio em São Paulo enfrenta violência do Estado

Por Marina Souza

O que gerou interesse em Fernando Ferreira, estudante de Pedagogia, a ingressar na Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio foi a “proposta de criar formas de enfrentamento nos territórios onde familiares e amigos sentem na pele o resultado da atual política de segurança”. Após pouco mais de um ano da decisão, ele comparece às reuniões e constrói vínculos com as diferentes frentes envolvidas no grupo, que tem como missão analisar em São Paulo casos de injustiças cometidos por agentes do Estado, sobretudo contra pessoas periféricas e/ou pretas.

Prisões de inocentes, torturas e assassinatos cometidos por policiais viram alvo de discussões e – principalmente – investigações na Rede. Marisa Feffermann, pesquisadora sobre juvenicídio na América Latina, explica que os integrantes do movimento se dividem em diferentes grupos de articulação, alguns lidam com o Ministério Público, outros com a Polícia, Defensoria Pública, militantes políticos ou os familiares das vítimas. Participando de Fóruns em São Paulo, Osasco e ABC Paulista eles realizam cursos, com três meses de duração, em regiões periféricas para mostrar um mapeamento coletivo a respeito das principais zonas de violência.

“É como se a gente fosse uma escuta das quebradas para o poder público”, defende Feffermann.

Fotos: Divulgação

Os quatro jovens presos injustamente no final do ano passado após serem acusados de roubar um carro foram soltos meses após um insistente pressionamento público organizado pela Rede, que conseguiu reunir provas e inocentar os garotos. Atualmente a organização também mobiliza atos de protesto contra casos de racismo como o que aconteceu com Vitor Vinicius, jovem negro de 20 anos que foi agredido e humilhado na estação de metrô Tucuruvi, no início deste mês.

O diretor executivo do IREC – Instituto Resgata Cidadão, Maurício Monteiro, de 49 anos, é ex-detento e confessa que mesmo não devendo mais nada a Justiça e tendo curso superior, sente que sofre com preconceito. Atualmente ele faz parte da equipe da Rede porque acredita que “quanto maior uma rede, maior seu alcance e maior a pesca”.

A organização da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio foi resultado do I Seminário Internacional Juventudes e Vulnerabilidades: Homicídios, Encarceramento e Preconceitos, ocorrido em 2017 na Faculdade de Direito da USP e na escola de samba Combinados de Sapopemba. O próximo evento deste estilo acontecerá em 11 de maio, o Seminário: O Direito no Enfrentamento à Violência De Estado discutirá estratégias jurídicas de instituições e pessoas diante das práticas violentas do Estado.

Apoio vs. oportunismo

Na madrugada em que Marielle Franco foi assassinada no Rio de Janeiro, dois adolescentes, de 13 e 17 anos, tinham sido mortos em Osasco, conta Marisa Feffermann.”Um dos integrantes da Rede ligou pra gente e disse que tinha acabado de acontecer uma chacina. Chegamos lá e não tinha ninguém do Conselho Tutelar ou Serviço Social. Nós chamamos várias pessoas para ir ajudar, mas tava todo mundo no ato da Marielle. Isso é muito simbólico.”, relembra e critica a enorme repercussão da frase “ninguém solta a mão de ninguém”, que surgiu nas redes sociais após a vitória do então candidato á presidência Jair Bolsonaro (PSL). Segundo a pesquisadora, a grande maioria que reproduz esse discurso é apenas da boca para fora

A pesquisadora confessa que ao ir nas “quebradas” percebe que a palavra “medo” é constantemente mencionada pela população local. E por isso, sente que é necessário informar sobre a Rede, ressaltando que há, de fato, articulações de resistência nas quais depositar confiança e apoio.

Assim como ela, Fernando Ferreira pensa que grupos como a Rede são cada vez mais fundamentais, devido a existência daquilo que chama de “política da morte”. Para ele, enfrentar as injustiças através de estratégias coletivas, organizadas e com pouca exposição das vítimas é essencial para defender tais causas. “A rede está se fazendo. Só o dia a dia nos trará essa resposta, mas posso afirmar de maneira muito tranquila que temos muito a contribuir nessa discussão em qualquer lugar do país”, defende na esperança de que mais pessoas apoiem o movimento.

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Cultura

4ª edição do Dia das Boas Ações traz Ilú Obá de Min como atração

O evento no Parque Ibirapuera terá uma programação intensa e gratuita, com destaque para o show do grupo afro Ilú Obá de Min

 Em sua quarta edição no Brasil, o Dia das Boas Ações – maior movimento de voluntariado do mundo, promovido para despertar o engajamento em diversas causas sociais – acontece em 6 de abril, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, das 9h às 19h. Fazem parte da programação do DBA 2019 mais de 20 atrações culturais e artísticas e a realização de oficinas temáticas. Será um dia inteiro com apresentações de teatro, circo, danças e o show do grupo afro Ilú Obá de MinE o melhor, tudo de graça!

No país, a iniciativa é realizada pelo Atados, uma plataforma social que conecta pessoas e organizações, facilitando o engajamento nas mais diversas possibilidades de voluntariado, e pela Muda Cultural, produtora de eventos culturais. O DBA marca o início de ações sociais que acontecerão até 14/04/2019 em diversas cidades brasileiras.

Além da extensa programação de atividades, o DBA 2019 traz também sua Feira de ONGs, com mais de 20 organizações expondo produtos sociais e apresentando o trabalho que vêm realizando para transformar a realidade de seus públicos-alvo.

A importância do voluntariado

Considerado o maior movimento de mobilização voluntária do mundo, o Dia das Boas Ações é realizado em mais de 90 países. No Brasil, a primeira edição aconteceu em 2016 e teve atividades distribuídas por mais de 40 cidades, beneficiando mais de 40 mil pessoas em quase 300 iniciativas. Na edição passada, o evento mobilizou 30 cidades, com 150 ações e mais de 3.500 voluntários envolvidos.

Equipe Atados/Divulgação

A expectativa desta edição é atingir mais de 5 mil pessoas. “O crescimento do voluntariado no Brasil é visível, as pessoas estão cada vez mais preocupadas em apoiar aqueles mais vulneráveis. Isso pode ser comprovado pelo resultado das edições anteriores do DBA, já que o engajamento iniciado durante os eventos se mantém ao longo do ano em ações cada vez mais transformadoras. Ou seja, para muitos, o DBA é o ponto de partida para uma atuação voluntária com real poder transformador”, explica Daniel Morais, fundador do Atados.

A 4ª edição do DBA é patrocinada pela WestRock através da Lei Rouanet e conta com o apoio do Mercado Livre. Além de São Paulo, que recebe o evento no dia 6, DBA acontece no Rio de Janeiro, no dia 7 de abril e volta, em maio, para as cidades paulistas de Porto Feliz e Valinhos.

“Buscamos apoiar projetos que incentivem e promovam ações do bem que possam contribuir para que o mundo seja um lugar melhor para nós e para as futuras gerações. É por esse motivo que apoiar o Dia da Boas Ações fez todo o sentido, já que o projeto consegue despertar nas pessoas o engajamento em diferentes causas sociais por meio do voluntariado, que amplifica o alcance e impacto dessa corrente do bem”, resume Cynthia Wolgien, Head de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade WestRock.

Choro Jass/Divulgação

 Programação 

 Além de desfrutar de um dia cheio de lazer e diversão, os visitantes poderão se inteirar mais profundamente sobre a importância do Terceiro Setor, além de se conectar com causas sociais e se cadastrar na plataforma Atados para realizarem trabalho voluntário.

As atividades serão distribuídas por espaços temáticos (Palco Central, Vila Diversidade, Vila Sustentabilidade, Espaço Raiz, Tenda Atados, Bosque), que estarão em pontos estratégicos para ampliar o acesso e participação do público.

  • Palco central

 10h às 11h – Orquestra de Berimbaus – Sob regência de Mestre Dinho Nascimento, a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene interpreta toques da capoeira, canções e ritmos da música brasileira, de forma solene e inusitada. Performances de capoeira e samba-de-roda completam o espetáculo.

13h às 13h30 – Good Morning SP Mix – Este espetáculo traz muita música (reggae, rock, rap e MPB), coreografias e humor (crônicas e textos incidentais), desenvolvendo várias cenas com situações inusitadas, nas quais o tema da inclusão está sempre presente, já que os atores são todos cadeirantes. Deto Montenegro assina roteiro e direção.

17h30 às 18h30 – Ilú Obá de Min – Esta apresentação promove e divulga a cultura negra no Brasil com o objetivo de fortalecer as mulheres negras na sociedade. O bloco afro Ilú Obá de Min é uma intervenção cultural baseada na preservação de patrimônio imaterial. O grupo entoa cantos e danças advindos das culturas populares, realizando uma grande ópera de rua comandada pela força dos tambores. O protagonismo é inteiramente feminino e vem das mulheres a força para lutar por uma sociedade menos racista, sexista, machista e discriminatória.

Ilú Obá de Min/Foto: Luciana Cury
  •  Vila Diversidade 

 9h30 às 10h – Teatro Denúncia – Um neto malandro, uma família negligente, um motorista desinteressado, um sistema público ineficiente, um viúvo buscando um grande amor. Essas são algumas das histórias contadas neste espetáculo, que faz diversas críticas sociais e emocionais sobre o dia a dia de muitos idosos, sem deixar de adicionar uma boa dose de humor em cada história. A peça é um convite para que os espectadores observem a necessidade de cuidados e de mudanças na forma como lidam e tratam os idosos.

11h às 11h30 – Espetáculo da Diversidade  Com um pout-pourri de coreografias realizadas pelo Grupo Profissional do Instituto Movimentarte, que é composto por bailarinos com síndrome de Down, a apresentação o Espetáculo da Diversidade ressalta a pluralidade do ser humano através de diferentes expressões artísticas, proporcionando ao público um novo olhar para as relações humanas, além de promover encontros e ações focadas no protagonismo da pessoa com deficiência e gerar uma reflexão sobre temas como respeito, amor, diversidade, igualdade, empatia e inclusão.

11h45 às 12h30 – Oficina de Bonecas Abayomis – Para acalentar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos tumbeiros – navios de pequeno porte que realizavam o transporte de escravos entre África e Brasil – as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção, nesta oficina,  os participantes poderão produzir seus próprios amuletos.

13h às 13h45 – Circo Social Aldeias Infantis – Serão realizados dois espetáculos: O Fantástico Mundo do Circo Social e o Circo Feminino. Ambos reúnem inclusão, arte, educação cultural e linguagem circense. Os aprendizes passaram por todas as modalidades circenses e os espetáculos foram sendo criados a partir da percepção e compreensão de cada um sobre as diferentes formas do brincar e também da importância do empoderamento feminino.

15h30 16h30 – Slam das Minas  Inspirado no slam, linguagem artística nascida na década de 1980, nos Estados Unidos, o Slam das Minas surgiu em 2015, em Brasília, e em 2016 ganhou novas vozes em São Paulo. A competição, em que as poetas recitam poesias autorais durante três minutos e são avaliadas por um júri popular com notas de 0 a 10, surgiu da necessidade das mulheres de enviar representantes para o campeonato nacional Slam BR e para a disputa mundial de poesia. O movimento ganhou diversas vozes e as rimas têm contribuído para a divulgação de pautas feministas.

  • Vila Sustentabilidade

 10h às 12h – Oficina Resgatando Orquídeas – Workshop de sensibilização socioambiental, no qual Voluntários receberão orquídeas para serem resgatadas do descarte, através da técnica de fixação em árvores. A duração pode ser de até 60 minutos, dependendo do tamanho das turmas. Serão distribuídas 60 orquídeas aos primeiros inscritos.

14h30 às 15h30 – A Música e o Palhaço  Guiado pelo som contagiante da banda, Duilho (o palhaço) chega para assistir a apresentação. Observando os músicos tocarem, ele logo se anima e deseja ser o novo integrante da banda. A partir dessa ideia, o Duilho tentará, de formas inusitadas, conquistar a plateia e os músicos. Será que ele consegue? Composto por músicos e um palhaço, o grupo destaca-se pela interatividade e sonoridade musical. O repertório inclui jazz tradicional, choro e maxixes, percorrendo simultaneamente o período de 1900 até 1930 entre Brasil e Estados Unidos.

  • Espaço Raiz

 10h às 11h – Em Busca da Moda Perfeita – Com o uso de um tabuleiro que envolve os participantes em torno do ciclo de produção e consumo de uma peça de vestuário, serão propostos, durante as etapas do jogo, desafios e possibilidades para uma produção mais humanizada e menos poluente. O objetivo é gerar discussões e fazer escolhas a partir das informações que o jogo fornece.

11h15 às 12h – Ecogame: Missão Humanitária  Jogo cooperativo em que os participantes têm como finalidade “salvar uma comunidade” da qual fazem parte. A meta é dividir um bem comum que se chama água, elemento vital para nossa existência. Deverão também reflorestar com “araucárias” uma grande área devastada. O objetivo do jogo é que todos trabalhem juntos, já que o futuro dessa comunidade e de todos depende disso.

10h às 16h – Reforma da Kombosa  Intervenção artística na Kombosa Solidária, a Kombi que está com a organização há cinco anos e é a ferramenta de transporte de doações e atividades lúdicas para pessoas em situação de rua. Além disso, o grupo levará para esta edição do DBA diversas atividades lúdicas para as crianças, como óculos 360º, pintura de rosto, miçanga, entre outros.

  • Espaço Bosque 

 9h às 18h – Parque Sensorial Natural – Instalação composta por diversas estações de brincar, criadas com elementos naturais e que buscam estimular sensorialmente bebês e crianças, promovendo o desenvolvimento motor, sensorial e cognitivo, além de estimular as relações afetivas entre os participantes.

12h às 12h30 – Percussão Corporal – Uma experiência musical por meio da prática de instrumentos de percussão e movimentos corporais. Exploração de fontes sonoras não convencionais como garrafas PET e utensílios de cozinha para a criação e interpretação de diferentes ritmos.

13h às 15h – Casada Consigo Mesma – Palhaças vestidas de noivas abordam as mulheres perguntando se gostariam de se casar com elas mesmas. O objetivo da apresentação é que as mulheres resgatem seu amor próprio por meio do empoderamento feminino.

16h30  Pulse – Cena cômica com esquetes clássicas de palhaço. Um palhaço persistente que mesmo sendo atrapalhado tenta, com a ajuda do público, montar uma banda e fazer um filme, com muito humor e diversão.

14 às 15h – Diálogos pela Diversidadepolítica e sociedade  Roda de conversa sobre como é possível potencializar a luta pela diversidade.

15h às 16h – Cruzando Fronteiras – Atividade com a participação de pessoas em situação de refúgio, que são professores de suas línguas nativas (árabe, inglês e francês) e fazem parte do projeto Abraço Cultural. A oficina visa a aproximação cultural através do ensino do uso de turbantes, caligrafia árabe e dança do ventre.

  • Apresentações Itinerantes/em movimento 

10h às 11h – Caminhada do Sorriso – A Smile Train apresenta a Caminhada do Sorriso com o objetivo de conscientizar os participantes sobre a fissura Labiopalatina. Até o dia 4/4, as inscrições podem ser feitas pelo e-mail ou pelo WhatsApp (11) 98105-5651. Para quem quiser participar da campanha de doação e receber um boné exclusivo, gratuitamente, e usá-lo durante a caminhada, pode fazer uma doação voluntária no valor sugerido de R$55,00.

 11h30 às 12h15 – Travessia – Esta intervenção poético-literária é fruto de imersão artística realizada pelo grupo por meio de incursões pelo sertão mineiro e visitas à cidade de Cordisburgo (MG), terra de Guimarães Rosa, e as vivências teatrais inspiradas no escritor Antônio Cândido. O resultado é a criação de personagens que promovem um encontro entre o sertão mineiro de Rosa e o de Cândido. As músicas foram inspiradas em cirandas, prosas fiadas por violeiros, baseadas no cancioneiro popular.

10h30 às 18h – Tênis no Parque – Oficina que possibilitará ao público praticar atividades físicas e esportivas orientadas, e também momentos de lazer tendo como principal atrativo a modalidade tênis de campo.

 14h às 16h – Leitura Surpresa – O Sarau do Binho promove a reunião de poetas, cantores e músicos na região do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, há mais de 15 anos. No DBA, os poetas do Sarau do Binho vão oferecer a leitura de poemas e pequenos trechos de livros de autores das periferias. Livros sobre temáticas diversas serão distribuídos ao público.

 

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Cultura

Museu Afro Brasil comemora 15 anos de existência com exposição sobre São Paulo

Por Marina Souza

Criado em 2004 a partir da coleção particular do curador e diretor Emanoel Araujo, o Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, comemora 15 anos de existência neste ano e inicia as celebrações a partir do próximo sábado (06), às 11h, com a exposição “Museu Afro Brasil, nos seus 15 anos, celebra São Paulo: uma iconografia urbana”.

A mostra reúne mais de 500 itens históricos como pinturas, fotografias, cartazes, objetos, vestimentas, recortes de jornais, revistas, mapas, brinquedos e porcelanas que traçam uma cronologia do ambiente paulistano. Artistas como Aldemir Martins, Danilo Di Prete, Sanson Flexor, Manabu Mabe, Aldo Bonadei e Lothar Charoux são homenageados através das obras expostas.

“São Paulo é uma cidade-síntese, que resume em si toda a riqueza da diversidade étnica e cultural de nosso país, e que, por sua condição cosmopolita, não a isola da realidade do mundo globalizado em que vivemos. É aqui que todas as diferenças se encontram e se confrontam, que todas as sínteses se tornam possíveis, todos os choques visíveis.”, explica Araújo.

A exposição está dividida em cinco núcleos, veja a seguir quais são eles.

São Paulo, uma metrópole industrial: itens que indiciam tanto a indústria paulistana, quanto sua relação com a economia mundial como placas de propaganda, louças, brinquedos e objetos de decoração.

Belle Époque Paulistana: objetos ligados aos costumes dos anos 1920, destacando vestidos e croquis da Maison Marnah, da celebrada modista Madame Maria Adelaide da Silva, além adereços como bolsas, leques, artigos de beleza e dois raros tecidos da pintora e decoradora brasileira Regina Gomide Graz (1897-1973).

Revolução Constitucionalista de 1932: vasta iconografia que inclui mapas, esculturas em bronze, flâmulas, porcelanas, bandeiras que referenciam do movimento armado ocorrido entre julho e outubro de 1932, quando o estado de São Paulo entro em conflito com o governo de Getúlio Vargas.

Carnaval Paulistano: reproduções e fotografias originais que resgatam a importância da presença negra na festa popular na cidade.

IV Centenário: é o núcleo de maior diversidade de suportes. Nele, filatelia, numismática, discos, copos, louças, bandejas, revistas, pôsteres e mapas rememoram as festividades e celebrações que marcaram a efeméride dos 400 anos da cidade no ano de 1954, data em que foi inaugurado o Parque Ibirapuera.

A entrada é gratuita nos sábados e nos demais dias é cobrada uma taxa, que varia de 3 a 6 reais. O período da exposição é de 06 de abril a 07 de julho. Não perca esta oportunidade de valorizar e conhecer artistas pretos.

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Cultura

“A gente vai pra festa, mas pra guerra também”, diz coordenador do Festival Bixanagô

Divulgação

Por Marina Souza

“Queremos mostrar a potência periférica, negra e LGBT dentro do hip hop”, é a fala de Marcelo Morais, coordenador e curador do Festival Bixanagô, evento que acontecerá em São Paulo nos próximos dias 21, 22 e 23 e promete shows, oficinas e mesas de debate sobre o tema.

A ideia do Festival, segundo Morais, é trazer a reflexão sobre a inserção atual de LGBTs no universo da cultura hip hop e a utilização da música como empoderamento e instrumento de questionamento social. Ele explica que o nome escolhido mescla  a ressignificação do termo “bixa”  coma a palavra “nagô”, que remete a ancestralidade étnica e racial da maioria dos convidados e organizadores.

Estarão presentes nomes como Eliane Dias, Monna Brutal, Spartakus Santiago, Luana Hansen, Érika Hilton e Linn da Quebrada. Morais conta que o projeto foi realizado visando principalmente proporcionar ao público entretenimento e aprendizado, “a gente vai pra festa, mas pra guerra também”, diz.

Quando questionado sobre a escolha do local, Bela Vista, o curador disse que essa é uma oportunidade de reunir diferentes perspectivas periféricas em um espaço que não costuma ser ocupado com esse viés. Assim, segundo ele, ocorrem pequenas transformações diárias.

 

 

 

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Cultura

Jota.pê: o músico que mescla elementos do Baião, MPB, Xaxado e Rock

Por Marina Souza

“Eu quero que elas [músicas] tenham um balanço, um batuque, porque isso faz parte de mim, da minha ancestralidade”, foram as palavras do cantor Jota.pê quando questionado a respeito do intenso uso de afro-brasilidades em suas obras. Agora, o artista, que já participou do programa The Voice Brasil e se apresentou no TEDx, está lançando uma música a cada mês até a chegada, prevista para junho, do seu novo EP, “Garoa”.

Inspirado em artistas como Jorge Ben Jor, Djavan, Gilberto Gil, Lenine e Caetano Veloso, o paulista entrou no cenário musical mesclando diferentes gêneros e intenções artísticas. O seu amor pelas artes começou ainda na infância, com cerca de 8 anos de idade ele aprendera a tocar violão e aos 13 começara a compor.

“A música sempre esteve presente na minha vida”, revelou ele lembrando da infância marcada pela família repleta de compositores e cantores.

Foto: Bruno Silva

Após incansáveis tentativas de montar uma banda, Jota percebeu que a cada dia ele se tornava ainda mais apaixonado por música e, por isso, decidiu encará-la com maior seriedade. Aos 17 anos, gravou seu primeiro disco e hoje o enxerga como um grande divisor de águas em sua vida.

Crônicas de Sonhador

O CD “Crônicas de Sonhador”, lançado em 2015, demorou dois anos para ficar pronto. Com a rotina agitada de trabalho, estudo e projetos pessoais, o cantor teve dificuldades em executar as gravações e os protocolos necessários para o lançamento. Foi durante este período da produção que testou o que gostava e desgostava no meio.

“Foi marcante em muitos sentidos, eu não conhecia nada da carreira. Foi ótimo poder entrar num estúdio para colocar verdades em uma gravação”, disse.

O artista confessou que foi durante o disco que conseguiu encontrar-se musicalmente. Foi ali, em meio a tanta incerteza e desconhecimento, que fizera, desfizera e refizera sua identidade artística e pessoal.

Percebendo que muitas de suas atividades da época estavam prejudicando seu envolvimento com a música, ele decidiu “largar tudo”, focar na arte e começar os processos da divulgação de seu trabalho.

Garoa

Usando referências de Baião, MPB, Xaxado e até Rock, o músico falou que não se prende a nenhum gênero musical, faz apenas o que está sentindo no momento e procura valorizar a cultura negra.

Mas, ao contrário da espontaneidade que costuma ter ao escrever letras, a criação de “Garoa” foi planejada. Ele contou que queria algo que despertasse “folego” nos ouvintes, como um dizer de “seguir em frente”. Quando assistiu ao documentário Human, sentiu-se inspirados pelas entrevistas de Pepe Mujica e Maria Lindalva e a partir disso, construiu Garoa.

 

 

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Uneafro

Uneafro oferece 2 mil vagas para cursos gratuitos

Da Uneafro

A Rede de Cursinhos Comunitários da Uneafro iniciará o ano de 2019 ano atendendo a 32 comunidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Os cursos são gratuitos e destinados a jovens e adultos da comunidade negra e aos moradores de periferias como um todo. As aulas acontecerão em espaços comunitários, com professores bem preparados e comprometidos com causas sociais.

O Ministro da Educação do Governo Bolsonaro, Ricardo Vélez, afirmou há alguns dias que “a ideia de universidade para todos não existe”, e acrescentou que o ingresso nas instituições superiores de ensino “devem ficar reservadas para uma elite intelectual [do país]”. A melhor maneira que encontramos para responder à tamanha estupidez é continuar, fortalecer e ampliar o trabalho que realizamos nas periferias do país.

Em 10 anos de atuação, a Uneafro já atendeu mais de 15 mil estudantes e centenas chegaram à Universidade, passaram em concursos e/ou alcançaram novas oportunidades de trabalho e renda.

Nos bairros, periferias, favelas e quebradas de todo Brasil, nossa juventude precisa estudar, se alfabetizar, fazer faculdade, arrumar um emprego, ajudar a família e evitar a violência da polícia; Desempregados precisam se requalificar; Mulheres precisam de apoio para se livrar da violência, gerar a própria renda e alcançar independência; LGBTs precisam ser acolhidos e apoiados na sua luta pela vida e por direitos. É do chão de perto de casa que virá as mudanças que o Brasil precisa.

Que tal transformar seu sentimento de revolta, agonia ou vontade de mudança em prática real na vida das pessoas? Espalhe a notícia para amigas/os professores, educadores e pessoas preocupadas com o tema e colabore!

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Cultura

Conheça a artista Andréa Tolaini, onde a simbologia feminina ganha novas cores

Arte: Andréa Tolaini

Por Marina Souza

Foi em 2009 que a vida de Andréa Tolaini mudou completamente. Com a morte da mãe, a então publicitária adquiriu o que chama de “crise profissional”. Não vendo mais sentido no trabalho, ela sentia que sua criatividade não era compartilhada e estava a serviço de algo que desconhecia. Três anos depois, essa angústia havia ganhado proporções maiores e Tolaini finalmente tomara uma decisão: largar a publicidade e viver da arte.

O ano de 2012, por sua vez, representou mudanças intelectuais e também locativas. A feminista mudou-se para Londres para estudar pintura, desenho e Ilustração, na University of Arts of London, e um ano depois, voltou ao Brasil para cursar artes plásticas da Escola Panamericana de Artes. A criação de seu primeiro ateliê, no bairro do Butantã, São Paulo, enfatizou as crescentes mudanças.

“Eu já tinha mão pras artes visuais, pintava muito com a minha mãe. Mas não via isso como profissão porque minha mãe sempre pintou no campo privado, no público era professora”, relatou a paulistana de 34 anos. O berço materno lhe trazia uma forte simbologia feminina, que ficou ainda mais evidente após o episódio da morte. A artista começou a pensar muito no que era e significava ser mulher porque, segundo ela, seu pilar feminino estava se desabando aos poucos.

Então, ela decidiu unir as reflexões, que a essa altura já se tornavam incômodas, às suas produções artísticas. Coincidentemente, o movimento feminista ganhava, novamente, grande força no Brasil e as pautas femininas estavam entrando em todos os espaços. A partir disso, Andréa começou a esboçar em suas artes temas como liberdade sexual, emotiva, afetiva, masculinidade tóxica, América Latina e experiências diárias.

“Eu acho que esses rastros emocionais que existem por trás dos movimentos sociais são muito grandes. As minhas vivências pessoais de maternidade, familiaridade e feminilidade me desencadearam a desenhar, escrever e falar”, teceu.

Recentemente, Andréa lançou “SEIVA”, um livro que reúne algumas de suas ilustrações e escritos, na intenção de compartilhar seu trabalho e gerar reflexões no público, que é majoritariamente feminino, e afirmou que não dá respostas, apenas faz questionamentos usando a si própria como um mapa de aprendizados.

Tolaini confessou que todas as vezes que vê alguém se identificando com suas obras sente uma ponte de emoções ser criada e atinge seu grande objetivo enquanto mulher, artista e ser humano. Contudo, também disse que não possui estratégias para atingir as pessoas, apenas pessoaliza e cria laços daquilo que está em paralelo às suas vivências pessoais. O fato é que mesmo sem tais táticas, ela frequentemente recebe mensagens de carinho agradecendo-a pelos trabalhos.

Na opinião da artista, as pessoas estão carentes dessa ligação de acolhimento, na qual é possível sentir-se conectado ao outro emocionalmente e saber que não está sozinho. Também interpretou essa vontade de romper com os limites impostos como algo genuíno e importante para legitimar as existências individuais. É por isso que acredita que seu trabalho legitima as emoções alheias, sobretudo as das mulheres.

Seu projeto “Marias” foi criado com um pretexto de fazer exposições coletivas itinerantes de mulheres latino-americanas. A escritora sempre gostou muito de viajar pelo território da América Latina e sempre notou que a herança colonial é muito presente e difícil, “a gente vai precisar lutar duramente para incluir as mulheres periféricas, negras, indígenas”, refletiu ela, que pretende continuar criando esse círculo de união entre as artistas. “Marias” já circulou por Portugal, Espanha, São Paulo e tudo indica que terá novas realizações ao longo desse ano.

Embora, a desenhista esteja realizada com o caminho que está trilhando dentro e fora das artes, também enfrenta dificuldades. “Nesse mundo capitalista tudo que não serve diretamente ao sistema é subjugado. E a arte está nesse lugar, como se não tivesse função”, desabafou com tristeza. Ela apelidou como “abismo emocional” o sentimento de desanimação causado pela desvalorização das artes e acredita que no atual cenário político do país o circo está fechando para estes trabalhadores que não servem a lógica do sistema.

Devido a essas barreiras, durante muito tempo ela não teve uma boa autoestima, sentia-se a margem da sociedade. Ao contrário de muitos artistas, Andréa não tem interesse em ingressar em grandes galerias ou vender suas obras por preços caros, quer apenas que seu trabalho a sustente e circule. Ela classificou como angustiante e solitário o ato de remar contra a corrente e saber que isso é, muitas vezes, algo inglório. É por isso até entende quem escolhe o outro caminho, mas sabe que não quer servir ao capital.

Segundo a ilustradora, expor as angústias e os êxtases é uma maneira de fortalecer a si própria e aos outros. É assim que ela acredita na possibilidade de mudanças, rompimentos e crescimentos pessoais. Voltando de uma reunião na sede da Mídia Ninja, em Salvador, com a presença do ativista do Pablo Capilé, Andréa Tolaini disse “esse momento social está negando a arte, colocando a gente como vagabundo. Eu não vou abrir mão disso, não vou desistir. É uma resistência que precisamos fazer, tendo consciência do que está acontecendo para não ceder, seguir trabalhando com o que acredita, transformando a sociedade da maneira que consegue. Não arregar o pé.”.

 

 

 

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Cultura Mulheres

Mulamba e o cenário da música feminista

Foto: Luciana Petrelli

Por Marina Souza

Mulamba é uma banda curitibana que pulsa força e poesia, unindo influências que vão do rock à música erudita. Mulheres com vozes dissonantes, que saem das entranhas e têm muito a dizer, elas representam um grito, um suspiro de encantamento, um furacão. Mulamba representa um grito de vozes silenciadas. Mulamba é: Amanda Pacífico (Voz), Cacau de Sá (Voz), Caro Pisco (Bateria), Fer Koppe (Cello), Naíra Debértolis (Guitarra/Baixo/Violão) e Erica Silva (Guitarra/Baixo/Violão).

Em ascensão no cenário musical atual, o grupo faz show de lançamento do homônimo álbum de estreia no Sesc Pompéia dia 18/01 (sexta-feira), a parir das 21h. A obra figura como “Melhores do Ano” em diversas listas de 2018. Inclusiva está entre os 25 melhores lançamentos do segundo semestre pela respeitada APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

No dia 10 de dezembro, a banda Mulamba completou três anos de luta diária, composição, evento e inspiração artística. Tudo começou quando Amanda Pacífico e a Naíra Debértolis tocavam juntas em um projeto e decidiram homenagear Cássia Eller. Elas pensaram em criar um time musical só com “manas” e fazer shows cover de cantoras brasileiras que gostavam.  É neste momento que aparecem Fer Koppe, Cacau de Sá e Caro Pisco. Com uma agenda já preenchida por muitos shows, as garotas começaram a sentir necessidade de fazer algo próprio, uma nova caminhada, começaram então um projeto autoral.

Erica Silva, que entrou no grupo há um ano, diz que no início surpreendeu-se com a pluralidade de arranjos ali utilizados e que com o tempo passou a não somente entender seu funcionamento, mas também a pensar como cada um daqueles estilos musicais agregavam em sua vida artística e pessoal. “Acho que tudo isso são as referencias musicais que cada uma carrega desde do primeiro dia que ouviu música. Mas apesar de tantas influências no som, sinto que tudo se conecta no Rock n’ roll, pela atitude que temos.”, diz ela.

A banda, que ressalta raízes latinas em suas obras, possui muitas letras voltadas ao feminismo e seu impacto na sociedade. Cacau acredita que isso é devido ao fato da música ser uma arte com grande potencial a ser explorado. “Ela invade o ouvido, muitas vezes você não escolhe o que ouvir, apenas escuta. A música fala com o seu subconsciente de uma forma muito impactante. É lindo. É maravilhoso. Ela chega em lugares que a fala não chega. E estamos na era da vagina. A era do feminismo”, diz ela. Desde que a banda começou, as musicistas recebem relatos de outras mulheres contando que voltaram aos seus instrumentos ou decidiram começar um projeto inteiramente feminino.

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de extinguir o Ministério da Cultura preocupa as integrantes da banda, que classificam a medida como um retrocesso e um ataque à liberdade de expressão. “Isso é uma bomba relógio que vai explodir pra todos os lados. Estamos revoltadas com a forma que as coisas estão andando”, revela Cacau. É por isso que ela pretendem continuar lutando dentro e fora da arte.

“A gente tá aqui nesse lugar porque não dá mais para esconder todos os “brasis” que existem dentro do Brasil. É consequência do nosso trabalho, é merecido. A gente merece e tava demorando para um projeto só de mulheres ser reconhecido. Tem vários por aí, só não tem visibilidade”, conta a cantora.

 

 

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Mulheres Negras

Bitonga Travel: a mulher negra ganhando espaço no meio turístico

Por Lau Francisco

No filme “Estrelas além do Tempo”, quatro mulheres negras desafiam o apartheid ao provar sua competência profissional na realização que levou o homem à lua, lutando contra o preconceito arraigado na hierarquia da NASA. Sem medo de errar, podemos fazer um paralelo desta conquista com a luta das mulheres do Bitonga Travel. Elas reconstroem estereótipos na junção de suas experiências pessoais viajando sozinhas pelo mundo, com objetivo de compartilhar vivências pessoais, impactar e proporcionar mudanças no setor do turismo. O lançamento do projeto acontece dia 09 de janeiro, às 20h, no Aparelha Luzia, em São Paulo.

Foto: Renato Cândido e Luiza Alves – Divulgação

Idealizado pela viajante Rebecca Aletheia, o projeto tem o objetivo de incentivar mulheres negras a conhecer não só o vasto mundo como também suas próprias cidades, empoderando-as, desta forma, a engrandecer sua visibilidade e autoestima. Em dezembro de 2018, na praia da Guaiuba, Guarujá, litoral sul de São Paulo, ocorreu o primeiro encontro das mulheres deste projeto. Quatorze viajantes de diferentes lugares transformaram a viagem à praia no seu grande escritório, pautando questões de negritude feminina no espaço turístico. Bitonga é uma língua bantu, de tronco nígero-congolês, falada mais especificamente na região do Inhambane, no Moçambique. Acentuada e belíssima traz consigo traços fonológicos semelhantes aos sons do português brasileiro.

Uma questão comum entre todas as participantes foi o fato de que as mulheres negras não se sentem representadas pelo turismo, sendo muitas delas por vezes excluídas e desconsideradas no meio turístico hoteleiras.

“Reunir mulheres negras viajantes da América Latina e do Caribe têm muito significado para outras mulheres. Muitas vezes elas se vêem sozinhas no espaço de viagem. Isso acontece porque é difícil encontrar mulheres negras viajando por conta da própria economia. Uma mulher negra recebe menos que uma mulher ou homem branco, elas estão nas periferias, não têm acesso ao centro da cidade, cuidam das casas, dos filhos, da família, da mãe, pagam aluguel, ou seja, são vários os fatores que impedem”, explica Rebecca Aletheia, que já viajou por diversos países, como Argentina, Peru, Bolívia, Venezuela, Moçambique, Àfrica do Sul, Uzbequistão, Turquia, Portugal, França, Espanha, entre outros.

A condição da mulher negra citada por Rebecca justifica-se em números. Em março de 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que se para as mulheres brancas a queda na ocupação de postos de gerência foi de 1,2 ponto percentual entre 2012 e 2016 — passando de 39,7% para 38,5% dos cargos —, para as negras foi de 4,7 pontos no mesmo período — caindo de 39,2% para 34,5%. As mulheres negras também têm salários menores, tanto em relação a pessoas brancas quanto a homens negros. Segundo estudos, as mulheres que conseguem delegar mais as tarefas domésticas são as de classes sociais mais altas, em sua maioria brancas. Portanto, uma mulher negra viajar pelo globo terrestre, sozinha, é uma forma de estreitamento das fronteiras e também de ascensão social.

Entretanto o projeto lembra que viajar não é somente se deslocar para o exterior, fazer um plano de viagem, hospedar-se num hotel de prestígio. Viajar vai muito além disso. Viajar é sair da própria região e ir para o centro da cidade, viajar é visitar nossa tia na cidade vizinha, ou quando visita-se o bairro em que cresceu. Segundo Rebecca, outros encontros acontecerão e as experiências e vivências dessas mulheres poderão ser conferidas pelas redes sociais. O projeto vai unificar essas vivências e reforçar o conceito de mulher negra circulante que quer ocupar os lugares que lhe foram negligenciados.

Serviço

Lançamento Projeto Bitonga Travel – Dia 09 de janeiro, às 20h, no Aparelha Luzia

(Rua Apa, 78, Santa Cecília – São Paulo)

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Destaque Movimento Negro

Mas afinal, o que 2018 trouxe de bom para os negros?

Por Marina Souza

O ano de 2018 foi muito intenso. Seja nos aspectos culturais, sociais ou, principalmente, políticos, foi possível observar acontecimentos de grandes impactos para o Brasil e o mundo. A Intervenção Federal no Rio de Janeiro, os documentos da CIA sobre a ditadura brasileira, o assassinato de Marielle Franco, o incêndio no Museu Nacional, o atentado no Irã, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência e tantos outros episódios marcantes tornaram-se lembranças dolorosas.

Contudo, as lutas pedem espaço. É preciso encarar tais acontecimentos, construir resiliências e novas narrativas. É necessário relembrar também os incontáveis momentos bons que 2018 trouxe e observá-los sob uma perspectiva esperançosa. Por isso, relembre agora algumas dessas conquistas.

Jean-Michel Basquiat no Centro Cultural Banco do Brasil

Aberta no dia 25 de janeiro, a exposição “Jean-Michel Basquiat — Obras da Coleção Mugrabi”, no Centro Cultural Banco do Brasil, fez uma retrospectiva das obras e trajetória de vida de Basquiat, reunindo mais de 80 quadros e gravuras. O público teve contato com a emblemática personalidade artística do nova-iorquino que viveu durante as décadas de 70 e 80.

A mostra ficará disponível até o dia 07 no Rio de Janeiro.

Foto: Felipe Cezar

Pantera Negra lota as salas de cinema

Com seu elenco completamente negro, o filme Pantera Negra, lançado em 15 de fevereiro, conquistou uma série de prêmios e indicações em diversas celebrações importantes no mundo do Cinema, chegando a tornar-se o primeiro filme de super-herói a concorrer na categoria “Melhor Filme” no Globo de Ouro. Além de explorar elementos da Fantasia, Aventura e Ação, o longa-metragem retrata consequências da colonização europeia na África e diversos aspectos históricos, mitológicos, políticos e culturais do continente.

Jamaica, Jamaica

Contrariando o forte esteriótipo em que a cultura jamaicana está submetida, a exposição “Jamaica, Jamaica”, inaugurada em 15 de março no Sesc 21 de Maio, quebrou preconceitos retratando a pluralidade e diversidade do país, sobretudo no âmbito musical. Fotos, áudios, documentos, instrumentos musicais e outros importantes materiais da história da música jamaicana foram expostos, acompanhados de uma vasta programação que incluía cursos, palestras, encontros e oficinas.

Foto: Divulgação

1º Prêmio Marielle Franco

Um mês após o assassinato da quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016 do Rio de Janeiro, a rede de núcleos estudantis UNEAFRO realizou o 1º Prêmio Marielle Franco, prestigiando pessoas, instituições e organizações que lutam pelos Direitos Humanos. O evento foi realizado em 14 de abril, no auditório de Geografia da Universidade de São Paulo e premiou nomes como Regina Militão, Milton Barbosa, Maria José Menezes, Jupiara Castros, Núcleo de Consciência Negra, e Sueli Carneiro.

Foto: UNEAFRO

Seydou Keïta

A exposição “Seydou Keïta” foi inaugurada em 17 de abril, no Instituto Moreira Salles (IMS), para apresentar 130 obras do fotógrafo que é considerado um dos precursores dos retratos de estúdio na África. A mostra ainda estará disponível no Rio de Janeiro até o dia 27 do próximo mês.

Foto: Divulgação

Memorial sobre escravidão é inaugurado nos Estados Unidos

O Memorial Nacional pela Paz e Justiça, inaugurado dia 26 de abril, no Alabama, foi projetado para homenagear os negros estadunidenses que foram linchados pela supremacia racial branca nos Estados Unidos durante e após a chamada “Era Jim Crow”, período em que a segregação étnica no sul do país foi institucionalizada. Entre 1877 e 1950 mais de 4 mil negros foram enforcados, queimados vivos, abatidos, afogados e espancados até a morte por multidões brancas, sob uma campanha de terror apoiada pelo Estado.

Esculturas do Memorial Nacional pela Paz e Justiça | Foto: Brynn Anderson/AP

Universidade de Harvard recebe evento sobre racismo e Movimento Negro no Brasil

Nos dias 27 e 28 de abril, a Universidade de Harvard recebeu ativistas e acadêmicos negros para dialogar sobre questões ligadas ao impacto do racismo na experiência brasileira e a atuação dos movimentos negros na luta pela superação das desigualdades no país.

Ex África

As obras da exposição “Ex África” retratam momentos como a colonização, o tráfico negreiro, luta pela independência e outros temas que permeiam a história e cultura do continente africano. Instalações, fotografias, performances, desenhos, pinturas, esculturas e vídeos ali expostos pertencem a importantes artistas africanos contemporâneos, que estão em destaque dentro e fora de seus países. São mais de 90 produções de 20 artistas, divididas em quatro eixos: ‘Ecos da História’, ‘Corpos e Retratos’, ‘O Drama Urbano’ e ‘Explosões Musicais’. Inaugurada em 28 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil, “Ex África” foi a maior mostra de arte africana contemporânea já realizada no Brasil e estará disponível até o dia 30.

Foto: Alexandre Macieira

O “boom” de This Is America

Lançado em 05 de maio, o videoclipe “This Is America”, de Childish Gambino, alcançou 33 milhões de visualizações em apenas 48 horas e 100 milhões em uma semana. As redes sociais foram bombardeadas de comentários sobre o clipe, que faz diversas referências ao racismo e à violência policial nos Estados Unidos, e a música chegou a ser classificada pelo jornal britânico The Guardian como a melhor de 2018.

Os 130 anos da abolição da escravatura

O Brasil, o último país do ocidente a abolir formalmente a escravidão, completou 130 anos dessa decisão histórica em 13 de maio de 2018. Diante dos crescentes discursos de ódio, da eleição de um presidente que reproduz ideais neofascistas e das ameças aos direitos trabalhistas e à Democracia brasileira, o país completou treze décadas da abolição da escravidão.

Muitos eventos ativistas, políticos, acadêmicos e artísticos foram realizados para instigar reflexões sobre a data. Exemplo disso foi o Museu Afro Brasil, que inaugurou a exposição “Isso É Coisa de Preto – 130 Anos da Abolição da Escravidão”, com o intuito de ressaltar a competência, o talento e a resistência negra nos campos da arquitetura, artes plásticas, escultura, ourivesaria, literatura, música, dança, teatro, idioma e costumes. A mostra foi prorrogada até 31 de dezembro.

Os Racionais MC’s no vestibular

No dia 23 de maio, o álbum “Sobrevivendo no inferno”, dos Racionais MC’s, foi inserido na lista de leituras obrigatórias para o vestibular de 2020 da Universidade de Campinas (UNICAMP). Os vestibulandos deverão estudar as 12 letras presentes na obra, que são recheadas de significados e contextualizações de perspectivas periféricas e negras de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e DJ KL Jay. O álbum é considerado por muitos estudiosos como uma das maiores produções artísticas brasileiras de todos os tempos e agora, fará parte de um repertório universitário.

A obra também gerou um livro, que em 31 de outubro chegou às livrarias trazendo as poesias e fotografias da banda e textos de Sérgio Vaz e Criolo.

Foto: Divulgação

Lei de identificação racial em cadastros e bancos de dados estaduais é aprovada

Em 08 de junho, a Lei Nº 16.758, da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), foi decretada pela Assembleia Legislativa e promulgada pelo Governo do Estado de São Paulo. O intuito é que os bancos de dados, cadastros e registros de informações assemelhadas, públicos e privados exijam a identidade étnico-racial do cidadão. As informações coletadas serão enviadas semestralmente para a Coordenação de Políticas para População Negra e Indígena, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

Os 100 anos de Nelson Mandela

Este ano foi celebrado o centenário de nascimento de um dos maiores líderes políticos da África do Sul: Nelson Mandela. Em 18 de julho, diversas organizações, ativistas e governantes se juntaram para relembrar a importância histórica, cultural, política e social que ele teve na luta contra o Apartheid. Mandela foi um preso político durante 27 anos, presidiu seu país, lutou contra o racismo e imperialismo, garantiu políticas afirmativas ao povo sul-africano e foi premiado duas vezes pelo Nobel da Paz.

Djamila Ribeiro lança livro sobre Feminismo Negro

Djamila Ribeiro, escritora, pesquisadora e filósofa,  lançou seu novo livro “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?” no dia 25 de junho. No livro, a autora levanta a discussão da importância deste movimento, suas origens, circunstâncias e funcionamento. Além de artigos acadêmicos, traz ainda um ensaio autobiográfico inédito com relatos de sua infância e juventude vividas em uma sociedade estruturalmente racista e misógina.

Foto: Companhia das Letras/Divulgação

Histórias Afro-Atlânticas

A exposição Histórias Afro-atlânticas, inaugurada em 29 de junho, teve sucesso nas duas maiores instituições culturais paulistas, Tomie Ohtake e Museu de Arte de São Paulo (MASP) de São Paulo, ao reunir 450 trabalhos de 214 artistas do século XVI ao XXI, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe, e também a Europa. A mostra ganhou um prêmio pela APCA (Associação Paulistas de Critérios de Arte) e foi nomeada como a “exposição do ano” pelo jornal New York Times.

Foto: Divulgação

Movimento Negro Unificado comemora os 40 anos de trajetória

Em 06 de julho deste ano, o Movimento Negro Unificado (MNU), uma das pioneiras organizações negras no país, completou seus 40 anos de existência. Em meio ao regime militar, parte da juventude negra brasileira se reuniu formando um movimento que proporcionasse e participasse de diferentes mecanismos de combate ao racismo. Em entrevista para a Rádio Brasil Atual, Regina Lúcia, integrante do MNU há 22 anos, comentou: “as conquistas são muitas, mas a gente ainda tem muito para caminhar, porque o racismo no Brasil é de uma perversidade tão grande que a própria população negra não se enxerga enquanto vítima.”.

Foto: Movimento Negro Unificado

Lei institui Dia Marielle Franco contra o genocídio da mulher negra

A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB) criou um projeto de lei que estabelece a data 14 de março como o Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra, no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro. A Lei 8.054/18 foi sancionada pelo então governador Luiz Fernando Pezão (MDB) em 17 de julho e publicada no dia seguinte pelo Diário Oficial do Poder Executivo. Além de nomear a data, o projeto também determina que instituições públicas e privadas promovam a reflexão sobre a situação da mulher negra brasileira, através de debates e eventos do tipo.

Foto: Divulgação

Marcha das Mulheres Negras

Neste 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, ocorreram as terceiras edições da Marcha das Mulheres Negras em algumas cidades do país. Grupos e ativistas foram às ruas dizer “não” ao racismo, machismo, LGBTI+fobia, intolerância religiosa e fascismo.

Movimentos e grupos religiosos gritam “sim” pela liberdade

No dia anterior à data prevista para o Supremo Tribunal Federal (STF) votar sobre o abate religioso de animais, 08 de agosto, aconteceu a Marcha das Religiões Afro-brasileiras em diferentes cidades do país, demonstrando repúdio ao Recurso Extraordinário (RE) 494601, que previa a inconstitucionalidade e ilegalidade dessa prática. O julgamento foi suspenso após o ministro Alexandre Moraes pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar a situação.

Rappers viram super-heróis em HQs

No dia 22 de agosto, o youtuber LØAD divulgou um projeto seu em parceria com o desenhista Wagner Loud, que homenageia importantes nomes do Rap nacional, através de capas de histórias em quadrinho. Cada um dos poderes atribuídos aos heróis são relacionados com a trajetória de vida e personalidade dos músicos que os possui. Ambos idealizadores pretendem continuar fazendo obras nesse estilo e tiveram grande repercussão nas redes sociais e veículos de comunicação.

Foto: Divulgação

Rede de fortalecimento de mulheres negras – Circuladô de Oyá

O grupo Pretas-UNEAFRO lançou, em 28 de agosto, a campanha do projeto “Circuladô de Oyá“, com a intenção de criar uma rede de fortalecimento das mulheres negras que estudam pela União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEAFRO).

Número de candidatos negros cresce no Brasil

Embora a proporção da quantidade de candidaturas negras ainda seja baixa em relação ao número de negros brasileiros, se compararmos o ano de 2018 com 2014 é possível afirmar que houve um acréscimo de 9,2% de negros se candidatando a cargos eleitorais. Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam que 46,8% dos candidatos se autodeclararam como pretos ou pardos neste ano.

O apoio recebido pelas candidaturas negras

Artistas, lideranças ativistas, políticos, grupos, coletivos, comitês e diversos movimentos sociais estiveram durante o ano inteiro apoiando e divulgando candidatos negros aos cargos eleitorais.

Douglas Belchior (PSOL), ativista há mais de 20 anos, professor de História e coordenador da UNEAFRO, candidatou-se a deputado federal em São Paulo, recebeu cerca de 46 mil votos e foi apoiado publicamente por pessoas como Sueli Carneiro, Lázaro Ramos, Bianca Santana, Wagner Moura, Milton Barbosa, Preta Rara e Renata Prado.

Foto: Divulgação/Douglas Belchior

Mestre Moa é homenageado por capoeiristas, músicos, ativistas e organizações

Para homenagear o Mestre Moa de Katendê, capoeirista e compositor de blocos como Ilê Aiyê e Badauê, assassinado por eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), diversas manifestações aconteceram pelo Brasil durante o mês de outubro. Lutas de capoeira, palavras de ordem, cartazes e instrumentos musicais foram recursos utilizados durante as passeatas e os eventos culturais, organizados por capoeiristas, músicos, ativistas e organizações sociais.

 Foto: Sérgio Silva

Duas mulheres trans na Assembleia Legislativa de São Paulo

Uma grande conquista para os defensores da representatividade: no dia 07 de outubro, duas mulheres trans e negras ingressaram no cenário político paulista.

Pela primeira vez na história, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) terá a presença de duas mulheres transgêneros ocupando o cargo de deputada estadual. Erica Malunguinho (PSOL), educadora, mestra em Estética e História da Arte, é fundadora do centro cultural Aparelha Luzia e foi eleita com 55,2 mil votos. Já Erika Hilton, membra da Bancada Ativista (PSOL) e estudante de Gerontologia, ganhou o cargo com quase 150 mil votantes.

Mil placas com nome “Marielle Franco” são distribuídas

Muitos movimentos, organizações e pessoas foram à Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, em 14 de outubro, para homenagear a vereadora assassinada no início do ano, Marielle Franco, e manifestar repúdio aos candidatos políticos que destruíram uma placa de rua com seu nome, que havia sido colocada em cima da chapa oficial do logradouro, a Praça Floriano. Uma campanha criada pelo site de humor Sensacionalista, “Vocês rasgam uma, nós fazemos 100“, tinha o objetivo de fazer 100 placas novas através de uma “vaquinha virtual”. O valor arrecadado, porém, foi muito além da expectativa, fazendo com que os organizadores produzissem 1000 placas e aplicassem o restante do dinheiro em projetos defendidos por Marielle.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Movimento Negro se une para enfrentar o fascismo

Na tentativa de barrar os crescentes discursos neofascistas, diversos eventos organizados pelo Movimento Negro surgiram em grande intensidade pelo Brasil, sobretudo em outubro. A aula pública “No país da escravidão, de que fascismo falamos?”, que aconteceu no dia 18 do mês eleitoral, reuniu cerca de mil pessoas no Teatro Oficina e contou com a presença de Maria José Menezes, Leci Brandão, Erica Malunguinho, Andreia de Jesus e Douglas Belchior.

O evento, que foi organizado pela UNEAFRO, o Aparelha Luzia e Núcleo de Consciência Negra (USP), traçou estratégias para lutar contra o avanço na corrida eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) e também táticas para mudar intenções de voto do pleito.

Movimentos se juntam para lançar Frente Estadual pelo Desencarceramento em São Paulo

No dia 20 de outubro, diversas organizações, ex-detentos, associações e militantes de Direitos Humanos uniram-se e criaram a Frente Estadual pelo Desencarceramento em São Paulo, a fim de estruturar mecanismos de luta pela reformulação do sistema carcerário paulista, que atualmente está sucateado enfrentando sérios problemas, como falta de saneamento básico, violência, corrupção policial, superlotação de celas e desrespeito aos Direitos Humanos. O grupo defende a proibição de privatização dos presídios, é favorável a legalização das drogas, desmilitarização policial e ampliação da garantia da Lei de Execução Penal.

Os 30 anos da Constituição e o livro de Natália Neris

Diante dos 30 anos da Constituição Federal, celebrados neste ano, a pesquisadora negra Natália Neris lançou seu livro “A voz e a palavra do Movimento Negro na Constituinte de 1988”, em 29 de outubro.

Universidade dos EUA cria Bolsa de Estudos Marielle Franco

Novembro começou com uma ótima notícia: o Programa de Estudos Latino-Americanos (LASP) da Escola de Estudos Internacionais Avançados (SAIS), da Universidade Johns Hopkins, em Washington, anunciou a criação de um fundo de bolsas de estudo que levará o nome de Marielle Franco. O intuito é apoiar estudantes de mestrado que sejam comprometidos com o avanço da justiça social e dos Direitos Humanos. Para saber mais informações basta entrar no site oficial do programa.

Lançamento do livro de Marielle Franco

Os familiares de Marielle Franco lançaram o livro de sua dissertação de mestrado, “UPP – Redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, no dia 07 de novembro, concretizando uma das grandes vontades que a vereadora possuía em vida.

Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, segura livro da vereadora. | Foto: Paloma Vasconselos/Ponte Jornalismo

Marcha da Consciência Negra

Como todos os anos, o 20 de novembro foi um dia no país recheado de eventos sobre pautas raciais e grupos ativistas saíram às ruas para protestar contra o racismo. Após um acalorado período de eleições, negras e negros organizaram a Marcha da Consciência Negra como forma de resistência e luta antifascista.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Comitê de fiscalização de cotas é criado na USP

No dia 22 de novembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ciaram um comitê de análise das vagas para cotistas na instituição, com a intenção de evitar e denunciar fraudes no sistema de cotas ali utilizado.

Spike Lee lança novo filme e é aclamado pela críticaI

Spike Lee, um dos diretores de cinema contemporâneo mais importantes, lançou seu novo longa-metragem no dia 22 de novembro e é uma das apostas para o Oscar 2019. O “Infiltrado no Klan” conta a história do primeiro detetive dentro do departamento de polícia na cidade de Colorado Spring, que através de uma missão infiltra-se na reunião de uma organização da Ku Klux Klan (KKK).

https://www.youtube.com/watch?v=ie339j2Qeog

Selo editorial Sueli Carneiro

Djamila Ribeiro, escritora e filósofa, coordenou a criação do Selo Editorial Sueli Carneiro, em 04 de dezembro, com a intenção de valorizar o campo da intelectualidade acadêmica negra, visando à publicação de obras literárias escritas pelo povo negro, sobretudo as mulheres. Em entrevista ao Geledés, instituto fundado por Sueli, Djamila disse que foi muito influenciada pela escritora e classifica o encontro delas como um divisor de águas em sua vida.

Consulta Regional das Américas e os Direitos Humanos

No dia 08 de dezembro foi realizada a  Consulta Regional em mecanismos americanos de combate a discriminações, evento organizado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH). A principal função foi discutir maneiras de combater o racismo, a xenofobia e outros tipos de intolerância no continente americano.