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Movimento Negro

Ativistas levam representantes do Ministério Público para conhecer o Complexo da Maré

Por Marina Souza

Na última quinta-feira (27) o Complexo da Maré, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebeu representantes da 7ºCâmara da Procuradoria Geral dos Direitos do Cidadão e da Coordenação da Atividade Policial e Sistema Prisional do Ministério Público Federal para que conhecessem de perto alguns dos problemas das periferias do Rio e, assim, propusessem soluções ao lado dos moradores.

Gizele Martins, de 33 anos, é jornalista, comunicadora do conjunto de favelas da Maré e explica que durante o período da Intervenção Federal no estado do Rio de Janeiro, ocorrido no ano passado, as favelas e periferias cariocas se viram diante de um grande questionamento: “e agora, o que fazer?”. Ela conta que diante deste crescente sofrimento periférico sentia a necessidade de novas articulações.

Professores, profissionais da saúde, comerciantes, moradores, mães que perderam filhos, ONGs de Direitos Humanos e movimentos sociais denunciaram aos representantes as violações no campo da saúde, educação, moradia, saneamento e segurança pública.

“Eles viram os nossos chãos, os lixos na rua e a caixa furada de bala. A gente precisa aproximar esses poderes públicos para apresentar as nossas propostas”, diz a jornalista.

O único momento que desagradou os organizadores foi durante uma troca de tiros na Maré em decorrência de uma operação da Polícia Civil (Decodi).

 

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Mulheres Negras

No Brasil, mulheres negras são a maioria dos casos de sífilis

Por Marina Souza

As mulheres negras jovens, entre 20 e 29 anos, são a maior parte da população com sífilis no Brasil e representam 14,4% das gestantes que são diagnosticadas com a infecção. O último Boletim Epidemiológico de Sífilis, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostrou um aumento do número de pessoas infectadas, que passou de 44,1 casos a cada 100 mil habitantes, em 2016, para 58,1 em 2017.

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST),  causada pela bactéria Treponema pallidum, que atinge mais de 12 milhões de pessoas ao redor do mundo e possui diferentes estágios (primário, secundário, terciário, latente e congênito). Feridas, dores, danos cerebrais e muitos outros sintomas podem representar a sífilis, que se não for devidamente tratada, ocasiona a morte.

Seu tratamento depende do grau da infecção, variando entre penicilina, antibióticos e internação hospitalar. É o uso da camisinha, feminina ou masculina, que previne essa e outras ISTs, e em razão disso, Maria Menezes, mestra em Patologia Humana, acredita que programas socioeducativos em escolas e espaços de formação são necessários. “A única forma de lidar com um tabu é através da informação. A sociedade precisa se dar conta de que as políticas públicas são direitos e que a ausência delas têm consequências devastadoras para todos”, diz ela.

Quanto maior a vulnerabilidade social, maior é o risco de contrair ISTs. É por isso que as mulheres negras constituem grande parte desta população e representam algumas consequências do contexto social no quadro epidemiólogo do país. A realização de políticas específicas para dialogar com esse público é algo que Menezes considera necessário para alterar a situação e por isso, preocupa-se com o despreparo do novo governo que chega ao poder.

Lançamento da Campanha de Prevenção HIV/Aids do Carnaval 2018. Salvador (BA) / Foto: Rodrigo Nunes/MS
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Cultura Mulheres Negras

A Ocupação das Minas: evento promoverá uma série de atividades artísticas

Por Marina Souza

No dia 16 de fevereiro, acontecerá uma série de eventos promovidos pela Ocupação das Minas na Casa de Cultura Hip-Hop Diadema que visa instigar a luta contra o machismo, racismo, LGBTIfobia e qualquer outro tipo de opressão. Diante do forte machismo e lesbofobia existentes no cenário do Hip-Hop, a grafiteira Nenesurreal, que recentemente foi vítima de ambas violências, criou uma rede de arrecadamento financeiro virtual para custear o grande evento, que contará com a presença de muitas atividades. É a voz da periferia, das mulheres e das negras chamando a atenção daqueles que apreciam as mais variadas expressões artísticas e de entretenimento.

Programação (em construção coletiva e autônoma)

Mestras de Cerimônia
– Bianca
– Gabi Nyarai
– Mari Maciel

Shows
– Palomaris
– Scheyla Oliver
– Yabba Tutti (Soundsystem)
– Meire D’Origem
– Ericah Azeviche
– Mana Black
– Drika Backspin

Performances
– Sol Bento – Lilá.
– Levante Mulher – Miriam

Alimentação Vegana
– La Fancha

Rodas de conversa 
– Roda Terapêutica das Pretas (Adelinas – Coletivo Autônomo de Mulheres Pretas)
– Saúde Sexual para Mulheres (Ana Clara)

Sarau
– Sarau Alcova
– Sarau Papo de Mina.

Lançamento do Livro AfroLatina
– Poeta Formiga.

Oficinas
– Lambe-Lambe – Lambe Minas.
– AngelStore
– AsMinas
– Teatro Feminista – Talita do Núcleo Zona Autônoma.

Exibição de documentários
– Auto de Resistência (Mães de Maio)
– Mulheres Negras: Projetos de mundo (Day rodrigues)
– Mulheres Periféricas apoiadas por mais de quinhentas mil manas – Coletiva Fala Guerreira.
– Mulheres de Palavra – Web Série com 3 episódios – Ketty Valencio, Fernanda e Renata Allucci.

Feira e Exposições
– Livraria Africanidades
– Eparrei
– Anjo Negro Store
– Bete Nagô
– Clandestinas.

Grafite das Manas com protagonismo das manas negras, indígenas e lésbicas

Espaço Erê: local para as mamães deixarem suas crianças
Coletivo Espelho, Espelho Meu
– Os Quebradinhas
– Pamela Neres
– Bebel

Acompanhe as futuras informações do evento no facebook e valorize a cena das manas periféricas, pretas e lésbicas.