Categorias
Escrita da história

Você sabe o que foi a Revolta do Queimado?

Por Marina Souza

Há 170 anos acontecia a Revolta do Queimado, também conhecida como Insurreição do Queimado, em Espirito Santo, considerada por muitos historiadores como uma das principais ações contrárias ao sistema escravocrata do país naquela época. Conheça agora o que foi esse marco histórico.

As ruínas da igreja Freguesia de São José do Queimado / Foto: Reprodução

“Um fato histórico de tamanha importância devia ser tomado como bandeira de orgulho, conteúdo turístico amplamente divulgado, mas a gente é preto”, são as palavras de Priscila Gama, presidenta do Instituto Das Pretas.

Ela acredita que o motivo do pouco estudo e conhecimento sobre a Revolta é diretamente atrelado ao panorama estrutural do racismo na sociedade brasileira, que invisibiliza os povos negros.

A Revolta

Foi em troca da tão desejada alforria que cerca de 300 escravos construíram uma igreja em Freguesia de São José do Queimado, o frei Gregório José Maria de Bene havia prometido que lhes concederia liberdade se a obra construíssem. O que eles não previam é que aconteceria um descumprimento do trato, a autonomia não viria mesmo após todo o esforço doado.

Enfurecidos com a enganação, negros e negras articularam uma rebelião nas fazendas aos redores. O trabalhadores escravizados foram brutalmente reprimidos pela Polícia da Província, que assassinou muitos deles, a prisão de Elisiário, o grande líder do movimento, demarcou o fim da Revolta, que durou cinco dias e deixou feridos nos dois lados do confronto.

A presidente acredita que entender o acontecimento trata-se de uma recuperação de memória, sendo importante para a fundamentação de uma história apagada pelo processo colonial escravocrata.

 

 

Categorias
Política

“Todas as chances de sobrevivência em Minas estão em risco”, diz deputada Andreia Jesus

Por Marina Souza

Três anos depois do ocorrido em Mariana, a cidade mineira de Brumadinho entrou para a história do país quando foi atingida por 12 milhões metros cúbicos de lama, uma intoxicação no Rio Paraopeba e centenas de mortes e desaparecimentos. Mais uma vez, a vida e a biodiversidade brasileiras foram colocadas abaixo do lucro e poder de alguns. Para muitos, o rompimento da barragem, que era de responsabilidade administrativa da Vale, precisa ser de fato encarado como um crime ambiental, consideraqndo que os riscos já apresentados anteriormente foram negligenciados pela empresa. A deputada estadual Andreia de Jesus (PSOL), foi entrevistada pelo Blog Negro Belchior e apresentou seu posicionamento em relação ao ocorrido.

Blog Negro Belchior: Como você enxerga a responsabilidade da Vale no ocorrido em Brumadinho?

Andreia de Jesus: O papel na reincidência de crimes das mineradoras de Minas Gerais é de responsabilidade objetiva. O governo mineiro é refém desse modelo econômico que coloca as mineradoras acima do Estado, dando à elas não só no direito de explorar a riqueza mineral, mas também o de controlar esse território, a vida e as culturas, fica tudo na mão das empresas. A Vale é totalmente responsável pelos danos em Brumadinho, deixou os seus trabalhadores serem assassinados, já tinha consciência de que isso poderia acontecer. Seu papel agora é de fazer reparações, precaver que isso aconteça em outros lugares e mudar esse modelo de extração que tem feito.

BNB: O que achou da posição tomada pelo governador Romeu Zema (NOVO)? 

AJ: A posição de Zema não é tão diferente em relação a de outros governos de Minas Gerais, que costumam ser reféns da logica de que o estado não sobrevive sem mineração, seguindo um caminho de defender o capital, o lucro e a falta sensibilidade são bem parecidos. Esse crime foi praticado três anos depois do rompimento da barragem da Samarco, algo já era previsto. Foi o maior acidente de trabalho na história da humanidade, matou centenas de trabalhadores, mas mineradora preocupa-se apenas com quando poderá voltar a assumir trabalhos. Boa parte dos parlamentares financiaram a Vale, isso é grave.

Reprodução

BNB: Como os mineiros têm sobrevivido após Mariana e, agora, Brumadinho?

AJ: Todas as chances de sobrevivência aqui em Minas estão em risco. Inclusive, com esse novo rompimento corremos risco de ficar sem água. Como a gente se coloca agora sem prever alternativas de sobrevivência?

BNB: Como você interpreta o impacto dos danos causados nessas cidades?

AJ: Tem pessoas da justiça ambiental que mostram os danos irreversíveis causados por esse crime. Eles interferem diretamente na vidas das pessoas das cidades próximas a Mariana e Brumadinho, seja direta ou indiretamente.

BNB: O que está achando dos métodos adotados de indenização?

AJ: Tem duas questões muito importantes a serem debatidas. A primeira é a reparação de danos aos trabalhadores, que com a Reforma Trabalhista, será paginada como valor do salário. As famílias dos trabalhadores que foram soterrados pela lama receberão valores de indenização diferentes, isso é muito grave. A vida das pessoas estão sendo calculadas por salários precários. A segunda coisa é o direito dos trabalhadores de sacar o FGTS.

Além disso, os trabalhadores que não morreram têm o direito de estabilidade no emprego, podem se recuperar em 4 meses com o trabalho garantido.

BNB: E qual é a responsabilidade e o papel do governo federal nisso tudo?

AJ: O governo federal e o estado de Minas Gerais, que está atualmente refém de empresas internacionais que colocam a soberania nacional em risco, deveria fazer uma intervenção séria sobre esse tipo de exploração econômica em que dezenas de cidades podem desaparecer embaixo da lama. As empresas de mineração estão sem controle. Elas só retiram riquezas do nosso país que vão pra fora alimentar empresas internacionais, um capital fictício que não sabemos pra onde vai, todo o prejuízo tem ficado no Brasil.

É papel do governo federal fiscalizar todo o licenciamento ambiental. É de competência da União legislar para que os estados repliquem de acordo com a necessidade e demanda locais. As entidades e instituições ligadas ao Estado precisam retirar da Vale o papel de mediar o conflito diretamente.