Categorias
Cultura

Novo clipe de Thiago Elniño fala sobre a resistência ao genocídio da juventude negra

Seguindo com as ações que antecedem a estreia de seu próximo disco, o MC e educador popular Thiago Elniño apresenta mais uma inédita do aguardado “Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos”. Dessa vez, em um rap que fica entre um trap com texturas orgânicas e o boombap, “Pretos Novos” vem, agressiva e direta ao ponto, inspirando-se em nomes como Dead Prez, N.W.A., EarthGang, Marcus Garvey e Malcolm X.

“Em algum momento, o rap brasileiro da década de 90, que trazia um discurso cru e forte contra o racismo, passou a ser apontado por uma nova geração como algo superado, liricamente empobrecido, repetitivo, careta e até inocente em sua fé de que alguma coisa pudesse realmente mudar. Só que foi justamente esse rap que não só nos inspirou como também deu esperança e motivou a começar e continuar produzindo. Por isso, respeitosamente tentamos manter viva aquela energia. Nesse som, estou dizendo que por mais que esteja difícil, a gente vai morrer lutando, cantando e acreditando que o dia dos pretos vai chegar. Aliás, morrer lutando é um traço de dignidade e respeito ancestral para nós”, ressalta.

Na letra, as rimas debochadas do artista o colocam no papel de um personagem mais velho, além de zombeteiro, tal qual um Exú, encontrando eco com o papo reto de Vibox, Nayê Uhuru, D’Ogum e DenVin, todos integrantes do grupo Projeto Preto, da nova escola no rap paulista. Essa participação especial faz, dessa track, um encontro de gerações.

No videoclipe produzido para esse trabalho, sob a direção de Lincoln Pires, um plano sequência impacta quando, logo nas primeiras imagens, mostra um jovem preto sendo velado dentro de casa, dando a impressão de que aquela é uma realidade comum. E, de fato, é. Isso porque, de acordo com o Atlas da Violência 2019, 75,5% das pessoas assassinadas no Brasil são negras. A mensagem que fica, nas entrelinhas e fora delas, é um grito de basta.

Assista aqui: https://youtu.be/3xQS300lwqg

Categorias
Cultura

Amor preto e representatividade marcam obras de Caio Nunez

Com produção de Pedro Guinu e composição do próprio artista, “Lovesong” une elementos do hip hop, jazz e neo-soul, revelando um pouco do próximo álbum do cantor, previsto para o segundo semestre do ano.

Para o filme do projeto, gravado no Rio de Janeiro, o diretor João Pessanha roteirizou o dia a dia de um casal, interpretado por Caio e Jeniffer Dias. É ela a estrela que na novela ‘Malhação’ faz Dandara, homônima à guerreira dos Palmares. “Para mim, uma das maiores virtudes da concepção desse clipe foi contar com uma equipe inteira de profissionais negros. Diante da realidade do mercado audiovisual, considero esse um passo importante”.

Sobre Caio Nunez 

Dono de uma voz doce, levemente rouca e cheia de verdade nas suas emoções, Caio Nunez surge como um dos cantores e compositores mais criativos de sua geração. Misturando MPB, R&B e elementos urbanos, o artista prepara para 2019 seu segundo álbum de estúdio.

Nascido e criado em Irajá, no subúrbio carioca, e influenciado pelo pai músico, Caio lança seu primeiro disco “Akinauê” em 2015. Com seu single “Turquesa” alcança a marca de 250 mil views, além de matérias em diversos veículos pelo Brasil, Portugal, Moçambique e Angola. Foi considerado pelo portal “Armazém de Cultura” um dos melhores discos do ano, ao lado de nomes como Lenine, Elza Soares e Maria Gadú.

O álbum também gerou uma turnê com mais de 50 shows realizados.

No início de 2018, divulgou o clipe ‘Madureira à Bagdá”, distríbuido pela plataforma VEVO e transmitido em canais de TV como MTV, Multishow e BIS.

Foto: Vitor Hugo Silvano

O conteúdo audiovisual, gravado na favela do Pereirão, no Rio de Janeiro, teve como cenário o projeto social ‘Morrinho’. A música entrou em mais de 350 playlists no Spotify .

No mesmo ano, Caio apresentou, em parceria com o  projeto Sofar Sounds, a inédita “Valongo”. Fechando esse ciclo, ‘Afropunk’ chegou com um lyric video inspirado na estética afrofuturista. A track será trilha sonora do  longa “Labirinto”, previsto para 2019.

Atualmente, cantor dedica-se ao lançamento de “Lovesong”, esquentando os próximos passos da carreira.

 
Categorias
Cultura

Thomás Meira lança videoclipe sobre caos político

Até o próximo ano, vai ser sempre a mesma conversa fiada

Que vai funcionar, que vai melhorar a justiça federal

Mas a grande verdade é que a gente sempre paga no final

Eu e você

Estamos nessa lama em coma, na democracia do poder

Sem poder

Vamos pagar à prazo o pato, a fome e toda conta do temer

Com esses versos o cantor e compositor Thomás Meira lança – em meio ao caos político e as inúmeras dúvidas sobre os próximos capítulos da história brasileira – a inédita “Inflamado de Inflação”. Produzida por Felipe Câmara, track, apesar da levada dançante, coloca o dedo na ferida ao expor indignação. “Acredito que essa música nasce de um sentimento em comum. Eu, por exemplo, vejo minha mãe trabalhando, incansavelmente, todos os dias. Ela está pagando mais, cada vez mais, para viver. Todos estamos. E, mesmo com o nosso esforço total, muitas coisas não progridem por causa de um sistema ineficaz, falido e corrupto” , ressalta o artista.

O vídeo, dirigido por Carlos Franco, reúne imagens do centro da capital paulista e do Jardim São Manoel, maior favela de palafitas do país.

“Acho importante acrescentar que neste projeto também estamos criticando a polarização. Polarização essa que nos atrapalha e não nos une, tendo em vista que nesse momento ninguém ao certo – independente de lado, credo, cor ou raça – tem confiança plena em seus escolhidos. A desconfiança é mesmo geral”, pontua.

Para personificar a discussão, dois homens engravatados cumprem o papel dos tais falastrões que se preocupam muito mais com a foto do que com aquilo que realmente precisam: mudanças urgentes, melhorias gerais e a necessária e nunca verdadeira credibilidade governamental.

Cria do Grajaú, o poeta e militante Márcio Ricardo faz participação especial. É ele quem avisa: “entre a quebrada e o asfalto, há esperança no olhar”.